Ligeiro na ida, vertiginoso na volta, o menino dispara de um lado para o outro, nômade piloto de foguete
imaginário.

Gira, pula, escorrega, açula, salta, circula: como um raio, viaja com a velocidade da luz.

Bólido convicto, estonteante ventania, papa-léguas atômico, assim permaneceria por tempo indeterminado não fosse a pachorrenta racionalidade de
quem já se esqueceu do bom que é ser criança: “por que você está correndo menino?!”

Passadas de gazela, asas de pássaro, ebulição itinerante, célere vagamundo, correria instantânea, turbilhão de energia: se não corresse, explodiria. “Para com isso! Sossega! Pra onde você vai?”

Mas o menino voa sem intenção de pouso…

É íntegro na ação para lá e para cá sem roteiro e direção, já que não há necessidade de ir a lugar nenhum, que isso é coisa de gente adulta.

Afinal, faz sentido chegar a qualquer lugar quando tudo é vida, movimento, mudança e transformação?

Histórias Curtíssimas, Jayme Teixeira