EXISTE UMA CONFUSÃO ENORME ENTRE PODER PESSOAL E PODER “EMPRESTADO”.

Poder pessoal é aquele que, a partir de nossa herança psicogenética, desenvolvemos ao longo da vida e que se manifesta em qualidades geralmente muito admiradas e bem vistas: capacidade de realizar grandes obras, serviço social, dedicação ao semelhante, apuro ético, generosidade, altruísmo.

Já o poder emprestado é algo completamente diverso. Diferentemente de quem tem poder pessoal, quem possui poder emprestado só o mantém temporariamente, visto que ele não é próprio, apenas está com ele. Um dia tem que devolver!

É O CASO DOS POLÍTICOS que ocupam cargos eletivos temporários por delegação de seus eleitores. Poder meramente emprestado… Entretanto, raros são os políticos que interpretam a situação com correção e clareza. Ao contrário (principalmente os que conseguem se reeleger vezes seguidas e viram políticos profissionais), tendem a achar que o poder dos cargos que ocupam foi incorporado às suas digníssimas pessoas. Daí começarem a acreditar (até se convencerem!) DE QUE É DELES O QUE NÃO É DELES…

Os desdobramentos dessa lamentável postura de não distinção entre o público e o privado são altamente nefastos para a sociedade com consequências bem conhecidas, dentre as quais a promíscua mistura dos legítimos interesses do povo com outros certos tipos de interesse que rondam permanentemente os gabinetes e os corredores do poder.

Só não ocorre a mistura entre público e privado naqueles raríssimos casos em que o poder emprestado é delegado a quem já possui grande poder pessoal. Nesse caso, o poder temporário será invariavelmente usado com equanimidade, justiça e sabedoria, pois quem já desenvolveu significativamente seu poder interno não precisa se escorar e se afirmar em poder externo, qualquer que seja ele.

INFELIZMENTE ESSE NÃO É O CASO da enorme maioria dos políticos, em especial dos que se eternizam no poder. Esses, ao se julgarem muito acima dos simples mortais, a rigor, não passam de casos de alta patologia: pessoas emocionalmente desequilibradas que, por não terem desenvolvido poder pessoal, PARA SE MOSTRAREM FORTES, lutam obstinadamente pelo poder emprestado, o poder externo.

Aquele que nunca foi e nunca será deles. Porque, na verdade, não é de ninguém.