Um rei muito rico e poderoso construiu esplêndido palácio que possuía um espaço privilegiado onde gostava de meditar e descansar. O magnífico cômodo era vazado por ampla janela que descortinava um lago de cristalinas águas azuladas onde nadavam elegantes cisnes brancos por entre floridas plantas aquáticas que variavam a tonalidade de suas cores segundo a mutante claridade do dia.

O rei não se cansava de contemplar tal maravilha e, querendo tornar seu local preferido ainda mais deslumbrantemente mágico, convocou um inspirado pintor, o mais famoso do reino, para que criasse na parede interna do recinto visão tão soberba quanto a que, extasiado, desfrutava quando olhava pela janela. O artista tinha o direito de cobrar quanto quisesse, mas havia uma terrível condição: se a obra não ficasse tão extraordinária quanto a luminosa vista externa,
seria punido com a morte.

Histórias Curtíssimas, Jayme Teixeira